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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ariano Suassuna


Sexto ocupante da Cadeira nº 32, eleito em 3 de agosto de 1989, na sucessão de Genolino Amado e recebido em 9 de agosto de 1990 pelo Acadêmico Marcos Vinicios Vilaça.

Ariano Vilar Suassuna nasceu em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa (PB), em 16 de junho de 1927, filho de Cássia Villar e João Suassuna. No ano seguinte, seu pai deixa o governo da Paraíba e a família passa a morar no sertão, na Fazenda Acauhan.

Com a Revolução de 30, seu pai foi assassinado por motivos políticos no Rio de Janeiro e a família mudou-se para Taperoá, onde morou de 1933 a 1937. Nessa cidade, Ariano fez seus primeiros estudos e assistiu pela primeira vez a uma peça de mamulengos e a um desafio de viola, cujo caráter de “improvisação” seria uma das marcas registradas também da sua produção teatral.

A partir de 1942 passou a viver no Recife, onde terminou, em 1945, os estudos secundários no Ginásio Pernambucano e no Colégio Osvaldo Cruz. No ano seguinte iniciou a Faculdade de Direito, onde conheceu Hermilo Borba Filho. E, junto com ele, fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, escreveu sua primeira peça, "Uma Mulher Vestida de Sol"*. Em 1948, sua peça "Cantam as Harpas de Sião"* (ou "O Desertor de Princesa") foi montada pelo Teatro do Estudante de Pernambuco. Os Homens de Barro foi montada no ano seguinte.

Em 1950, formou-se na Faculdade de Direito e recebeu o Prêmio Martins Pena pelo Auto de João da Cruz. Para curar-se de doença pulmonar, viu-se obrigado a mudar-se de novo para Taperoá. Lá escreveu e montou a peça "Torturas de um Coração"* em 1951. Em 1952, volta a residir em Recife. Deste ano a 1956, dedicou-se à advocacia, sem abandonar, porém, a atividade teatral. São desta época "O Castigo da Soberba" (1953), "O Rico Avarento" (1954) e o "Auto da Compadecida"* (1955), peça que o projetou em todo o país e que seria considerada, em 1962, por Sábato Magaldi “o texto mais popular do moderno teatro brasileiro”.

Em 1956, abandonou a advocacia para tornar-se professor de Estética na Universidade Federal de Pernambuco. No ano seguinte foi encenada a sua peça "O Casamento Suspeitoso"*, em São Paulo, pela Cia. Sérgio Cardoso, e "O Santo e a Porca"*; em 1958, foi encenada a sua peça "O Homem da Vaca" e o "Poder da Fortuna"; em 1959, "A Pena e a Lei"*, premiada dez anos depois no Festival Latino-Americano de Teatro.

Em 1959, em companhia de Hermilo Borba Filho, fundou o Teatro Popular do Nordeste, que montou em seguida a "Farsa da Boa Preguiça"* (1960) e "A Caseira e a Catarina" (1962). No início dos anos 60, interrompeu sua bem-sucedida carreira de dramaturgo para dedicar-se às aulas de Estética na UFPe. Ali, em 1976, defende a tese de livre-docência "A Onça Castanha e a Ilha Brasil: Uma Reflexão sobre a Cultura Brasileira". Aposenta-se como professor em 1994.

Membro fundador do Conselho Federal de Cultura (1967); nomeado, pelo Reitor Murilo Guimarães, diretor do Departamento de Extensão Cultural da UFPe (1969). Ligado diretamente à cultura, iniciou em 1970, em Recife, o “Movimento Armorial”, interessado no desenvolvimento e no conhecimento das formas de expressão populares tradicionais. Convocou nomes expressivos da música para procurarem uma música erudita nordestina que viesse juntar-se ao movimento, lançado em Recife, em 18 de outubro de 1970, com o concerto “Três Séculos de Música Nordestina – do Barroco ao Armorial” e com uma exposição de gravura, pintura e escultura. Secretário de Cultura do Estado de Pernambuco, no Governo Miguel Arraes (1994-1998).

Entre 1958-79, dedicou-se também à prosa de ficção, publicando o "Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta"* (1971) e "História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão / Ao Sol da Onça Caetana" (1976), classificados por ele de “romance armorial-popular brasileiro”.

Ariano Suassuna construiu em São José do Belmonte (PE), onde ocorre a cavalgada inspirada no "Romance d’A Pedra do Reino", um santuário ao ar livre, constituído de 16 esculturas de pedra, com 3,50 m de altura cada, dispostas em círculo, representando o sagrado e o profano. As três primeiras são imagens de Jesus Cristo, Nossa Senhora e São José, o padroeiro do município.

Membro da Academia Paraibana de Letras e Doutor Honoris Causa da Faculdade Federal do Rio Grande do Norte (2000).



Em 2004, com o apoio da ABL, a Trinca Filmes produziu um documentário intitulado O Sertão: Mundo de Ariano Suassuna, dirigido por Douglas Machado e que foi exibido na Sala José de Alencar.


Obras selecionadas


Teatro


  • Uma Mulher Vestida de Sol (1947)*. Recife: Imprensa Universitária, 1964. Especial da Rede Globo de Televisão, 1994.
  • Cantam as Harpas de Sião (ou O Desertor de Princesa) (1948). Peça em um ato. Inédita.
  • Os Homens de Barro (1949)*. Peça em 3 atos. Inédita.
  • Auto de João da Cruz (1950). Prêmio Martins Pena. Peça inspirada em três folhetins da literatura de cordel. Inédita.
  • Torturas de um Coração (1951). Peça para mamulengos.
  • O Arco Desolado (1952).
  • O Castigo da Soberba (1953). Entremês popular em um ato.
  • O Rico Avarento (1954). Entremês popular em um ato.
  • Auto da Compadecida (1955)*. Medalha de ouro da Associação Brasileira de Críticos Teatrais. Rio de Janeiro: Livraria Agir, 1957; 34.ª ed., Agir, 1999. Estréia no cinema, 1969. Microssérie da Rede Globo de Televisão, 1994, e no cinema, 2000.
  • O Desertor de Princesa (Reescritura de Cantam as Harpas de Sião), 1958. Inédita.
  • O Casamento Suspeitoso (1957)*. Encenada em São Paulo pela Cia. Sérgio Cardoso. Prêmio Vânia Souto de Carvalho. Recife, Igarassu, 1961. Rio de Janeiro: José Olympio, 1974, junto com O Santo e a Porca; 8.ª ed., 1989.
  • O Santo e a Porca, imitação nordestina de Plauto (1957)*. Recife: Imp. Universitária, 1964. Medalha de ouro da Associação Paulista de Críticos Teatrais. Rio de Janeiro: José Olympio, 1974, junto com O Casamento Suspeitoso; 8.ªed., 1989.
  • O Homem da Vaca e o Poder da Fortuna (1958). Entremês popular.
  • A Pena e a Lei (1959)*. Peça em três atos. Premiada no Festival Latino-Americano de Teatro em 1969. Rio de Janeiro: Agir, 1971; 4.ª ed., 1998.
  • Farsa da Boa Preguiça (1960)*. Estampas de Zélia Suassuna. Peça em três atos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1974; 2.ª ed., 1979. Episódio de Terça Nobre, Rede Globo de Televisão, 1995.
  • A Caseira e a Catarina (1962). Peça em um ato. Inédita.
  • As Conchambranças de Quaderna, 1987. Estréia no Teatro Waldemar de Oliveira, Recife, 1988. Inédita.
  • A História de Amor de Romeu e Julieta. Suplemento “Mais!”, da Folha de S. Paulo, 1997.


Outras Obras


  • O Pasto Incendiado (1945-70). Livro inédito de poemas.
  • Ode. Recife: O Gráfico Amador, 1955.
  • Coletânea da Poesia Popular Nordestina. Romances do ciclo heróico. Recife: Deca, 1964.
  • O Movimento Armorial. Recife: UFPe, 1974.
  • Iniciação à Estética. Recife: UFPe, 1975.*
  • A Onça Castanha e a Ilha Brasil: Uma Reflexão sobre a Cultura Brasileira (tese de livre-docência em História da Cultura Brasileira). Centro de Filosofia e Ciências Humanas, UFPe, 1976.
  • Sonetos com Mote Alheio. Recife, edição manuscrita e iluminogravada pelo autor, 1980.
  • Sonetos de Albano Cervonegro. Recife, edição manuscrita e iluminogravada pelo autor, 1985.
  • Seleta em Prosa e Verso. Estudo, comentários e notas do Prof. Silviano Santiago. Rio de Janeiro: José Olympio / INL, 1974 (coleção Brasil Moço).
  • Poemas. Seleção, organização e notas de Carlos Newton Júnior. Recife: Universidade Federal de Pernambuco/Editora Universitária, 1999.
  • CD – Poesia Viva de Ariano Suassuna. Recife: Ancestral, 1998.

Ficção


  • A história do amor de Fernando e Isaura. Romance inédito, 1956.*
  • Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta*. Romance armorial popular. Nota de Rachel de Queiroz. Posfácio de Maximiano Campos. Rio de Janeiro: Borsoi, 1971. 2.ª ed. Rio: José Olympio, 1972. Adaptação teatral, por Romero de Andrade Lima, 1997.
  • As Infâncias de Quaderna. Folhetim semanal no Diário de Pernambuco, 1976-77.
  • História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão / Ao Sol da Onça Caetana*. Romance armorial e novela romançal brasileira. Com estudo de Idelette Muzart F. dos Santos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977.
  • Fernando e Isaura. Romance (1956). Recife, Bagaço, 1994.

Disponível na Sala de Leitura da Escola Municipal Irineu Marinho.

Frases


"Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa." Ariano Suassuna
"Que eu não perca a vontade de ter grandes amigos, mesmo sabendo que, com as voltas do mundo, eles acabam indo embora de nossas vidas." Ariano Suassuna 
"O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso." Ariano Suassuna 


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Carlos Drummond de Andrade



Carlos Drummond de Andrade (1902–1987) foi poeta brasileiro. "No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho". Este é um trecho de uma das poesias de Drummond, que marcou o 2º Tempo do Modernismo no Brasil. Foi um dos maiores poetas brasileiros do século XX.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) nasceu em Itabira de Mato Dentro, interior de Minas Gerais. Filho de Carlos de Paula Andrade e Julieta Augusta Drummond de Andrade, proprietários rurais decadentes. Estudou no colégio interno em Belo Horizonte, em 1916. Doente, regressa para Itabira, onde passa a ter aulas particulares. Em 1918, vai estudar em Nova Friburgo, Rio de Janeiro, também no colégio interno.

Em 1921 começou a publicar artigos no Diário de Minas. Em 1922 ganha um prêmio de 50 mil réis, no Concurso da Novela Mineira, com o conto "Joaquim do Telhado". Em 1923 matricula-se no curso de Farmácia da Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte. Em 1925 conclui o curso. Nesse mesmo ano casa-se com Dolores Dutra de Morais. Funda "A Revista", veículo do Modernismo Mineiro.

Drummond leciona português e Geografia em Itabira, mas a vida no interior não lhe agrada. Volta para Belo Horizonte, emprega-se como redator no Diário de Minas. Em 1928 publica "No Meio do Caminho", na Revista de Antropofagia de São Paulo, provocando um escândalo, com a crítica da imprensa. Diziam que aquilo não era poesia e sim uma provocação, pela repetição do poema. Como também pelo uso de "tinha uma pedra" em lugar de "havia uma pedra". Ainda nesse ano, ingressa no serviço público. Foi auxiliar de gabinete da Secretaria do Interior de Minas.

Em 1930 publica o volume "Alguma Poesia", abrindo o livro com o "Poema de Sete Faces", que se tornaria um dos seus poemas mais conhecidos: "Mundo mundo vasto mundo se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução". Faz parte do livro também, o polêmico "No Meio do Caminho", "Cidadezinha Qualquer" e Quadrilha". Em 1934 muda-se para o Rio de Janeiro, vai trabalhar com o Ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema. Em 1940 publica "Sentimento do Mundo" influenciado pela Segunda Guerra Mundial. Em 1942 publica seu primeiro livro de prosa, "Confissões de Minas". Entre os anos de 1945 e 1962, foi funcionário do Serviço Histórico e Artístico Nacional.

Em 1946, foi premiado pela Sociedade Felipe de Oliveira, pelo conjunto da obra. O modernismo exerceu grande influência em Carlos Drummond de Andrade. O seu estilo poético era permeado por traços de ironia, observações do cotidiano, de pessimismo diante da vida, e de humor. Drummond fazia verdadeiros "retratos existenciais", e os transformava em poemas com incrível maestria.

A poesia de Carlos Drummond de Andrade era facilmente entendida e captada pelo grande público, o que o tornou poeta popular, o que não quer dizer que seus poemas fossem superficiais. A Rosa do Povo é um poema muito conhecido e comentado. A rosa nesse poema funciona como metáfora do entendimento universal, dos valores da democracia e da liberdade, valores típicos da modernidade no século 20. Carlos Drummond de Andrade foi também tradutor de autores como Balzac, Federico Garcia Lorca e Molière.

Em 1950, viaja para a Argentina, para o nascimento de seu primeiro neto, filho de Julieta, sua única filha. Nesse mesmo ano estréia como ficcionista. Em 1962 se aposenta do serviço público mas sua produção poética não para. Os anos 60 e 70 são produtivos. Escreve também crônicas para jornais do Rio de Janeiro. Em 1967, para comemorar os 40 anos do poema "No Meio do Caminho" Drummond reuniu extenso material publicado sobre ele, no volume "Uma Pedra no Meio do Caminho - Biografia de Um Poema". Em 1987 escreve seu último poema "Elegia de Um Tucano Morto".

Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro, no dia 17 de agosto de 1987, doze dias depois do falecimento de sua filha, a escritora Maria Julieta Drummond de Andrade.

Obras de Carlos Drummond de Andrade

  • No Meio do Caminho, poesia, 1928
  • Alguma Poesia, poesia, 1930*
  • Poema da Sete Faces, poesia, 1930
  • Cidadezinha Qualquer e Quadrilha, poesia, 1930
  • Brejo das Almas, poesia, 1934
  • Sentimento do Mundo, poesia, 1940
  • Poesias e José, poesia, 1942
  • Confissões de Minas, ensaios e crônicas, 1942
  • A Rosa do Povo, poesia, 1945*
  • Poesia até Agora, poesia, 1948
  • Claro Enigma, poesia, 1951
  • Contos de Aprendiz, prosa, 1951*
  • Viola de Bolso, poesia, 1952
  • Passeios na Ilha, ensaios e crônicas, 1952
  • Fazendeiro do Ar, poesia, 1953
  • Ciclo, poesia, 1957
  • Fala, Amendoeira, prosa, 1957
  • Poemas, poesia, 1959
  • A Vida Passada a Limpo, poesia, 1959
  • Lições de Coisas, poesia, 1962
  • A Bolsa e a Vida, crônicas e poemas, 1962
  • Boitempo, poesia, 1968
  • Cadeira de Balanço, crônicas e poemas, 1970
  • Menino Antigo, poesia, 1973
  • As Impurezas do Branco, poesia, 1973
  • Discurso da Primavera e Outras Sombras, poesia, 1978
  • O Corpo, poesia, 1984
  • Amar se Aprende Amando, poesia, 1985
  • Elegia a Um Tucano Morto, poesia, 1987
Disponível na Sala de Leitura Irineu Marinho

    Informações biográficas de Carlos Drummond de Andrade

    Data do Nascimento: 31/10/1902
    Data da Morte: 17/08/1987
    Morreu aos 84 anos





    Fonte: E-Biografia

    segunda-feira, 1 de outubro de 2012

    Monteiro Lobato



    Monteiro Lobato (1882-1948) foi um escritor brasileiro. "O Sitio do Picapau Amarelo" é uma de suas obras de maior destaque na literatura infantil. Foi um dos primeiros autores de literatura infantil em nosso país e em toda América Latina. Tornou-se editor, criando a "Editora Monteiro Lobato" e mais tarde a "Companhia Editora Nacional". Metade de suas obras é formada de literatura infantil.

    Monteiro Lobato (1882-1948) nasceu em Taubaté, São Paulo, no dia 18 de abril de 1882. Era filho de José Bento Marcondes Lobato e Olímpia Monteiro Lobato. Alfabetizado pela mãe, logo despertou o gosto pela leitura, lendo todos os livros infantis da biblioteca de seu avô o Visconde de Tremembé. Desde menino já mostrava seu temperamento irrequieto, escandalizou a sociedade quando se recusou fazer a primeira comunhão. Fez o curso secundário em Taubaté. Estudou no Instituto de Ciências e Letras de São Paulo.

    Ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco na capital, em 1904. Na festa de formatura fez um discurso tão agressivo que vários professores, padres e bispos se retiraram da sala. Nesse mesmo ano voltou para Taubaté. Prestou concurso para a Promotoria Pública, assumindo o cargo na cidade de Areias, no Vale do Parnaíba, no ano de 1907.

    Monteiro Lobato casou-se com Maria Pureza da Natividade, em 28 de março de 1908. Com ela teve quatro filhos, Marta (1909), Edgar (1910), Guilherme (1912) e Rute (1916). Paralelamente ao cargo de Promotor, escrevia para vários jornais e revistas, fazia desenhos e caricaturas. Ficou em Areias até 1911, quando muda-se para Taubaté, para a fazenda Buquira, deixada como herança pelo seu avô.

    No dia 12 de novembro de 1912, o jornal O Estado de São Paulo publicou uma carta sua enviada à redação, intitulada "Velha Praga", onde destaca a ignorância do caboclo, criticando as queimadas e que a miséria tornava incapaz o desenvolvimento da agricultura na região. Sua carta foi publicada e causou grande polêmica. Mais tarde, publica novo artigo "Urupês", onde aparece pela primeira vez o personagem "Jeca Tatu".

    Em 1917 vende a fazenda e vai morar em Caçapava, onde funda a revista "Paraíba". Nos 12 números publicados, teve como colaboradores Coelho Neto, Olavo Bilac, Cassiano Ricardo entre outras importantes figuras da literatura. Muda-se para São Paulo, onde colabora para a "Revista do Brasil". Em seguida compra a revista e a transforma em editora. Publica em 1917, seu primeiro livro "Urupês", que esgota sucessivas tiragens. Transforma a Revista em centro de cultura e a editora numa rede de distribuição com mais de mil representantes.

    No dia 20 de dezembro de 1917, publica no jornal O Estado de São Paulo, um artigo intitulado "Paranoia ou Mistificação?", onde critica a exposição de Anita Malfatti, pintora paulista recém chegada da Europa. Estava criada uma polêmica, que acabou se transformando em estopim do movimento modernista.

    Monteiro Lobato, em sociedade com Octalles Marcondes Ferreira, funda a "Companhia Gráfico-Editora Monteiro Lobato". Com o racionamento de energia, a editora vai à falência. Vendem tudo e fundam a "Companhia Editora Nacional". Lobato muda-se para o Rio de Janeiro e começa a publicar livros para crianças. Em 1921 publica "Narizinho Arrebitado", livro de leitura para as escolas. A obra fez grande sucesso, o que levou o autor a prolongar as aventuras de seu personagem em outros livros girando todos ao redor do "Sítio do Picapau Amarelo". Em 1927 é nomeado, por Washington Luís, adido comercial nos Estados Unidos, onde permanece até 1931.

    Como escritor literário, Lobato destacou-se no gênero "conto". O universo retratado, em geral são os vilarejos decadentes e as populações do Vale do Parnaíba, quando da crise do plantio do café. Em seu livro "Urupês", que foi sua estreia na literatura, Lobato criou a figura do "Jeca Tatu", símbolo do caipira brasileiro. As histórias do "Sítio do Picapau Amarelo", e seus habitantes, Emília, Dona Benta, Pedrinho, Tia Anastácia, Narizinho, Rabicó e tantos outros, misturam a realidade e a fantasia usando uma linguagem coloquial e acessível.



    O livro "Caçadas de Pedrinho", publicado em 1933, que faz parte do Programa Nacional Biblioteca na Escola, do Ministério da Educação, está sendo questionado pelo movimento negro, por conter "elementos racistas". O livro relata a caçada a uma onça que está rondando o sítio. "É guerra e das boas, não vai escapar ninguém, nem tia Anastácia, que tem cara preta".

    José Renato Monteiro Lobato morreu no dia 5 de julho de 1948, de problemas cardíacos.


    Obras de Monteiro Lobato

    • Idéias de Jeca Tatu, conto, 1918
    • Urupês, conto, 1918
    • Cidades Mortas, conto, 1920*
    • Negrinha, conto, 1920*
    • O Saci, literatura infantil, 1921
    • Fábulas de Narizinho, literatura infantil, 1921
    • Narizinho Arribitado, literatura infantil, 1921
    • O Marquês de Rabicó, literatura infantil, 1922
    • O Macaco que se fez Homem, romance, 1923
    • Mundo da Lua, romance, 1923
    • Caçadas de Hans Staden, literatura infantil, 1927
    • Peter Pan, literatura infantil, 1930
    • Reinações de Narizinho, literatura infantil, 1931*
    • Viagem ao Céu, literatura infantil, 1931*
    • Caçadas de Pedrinho, 1933
    • Emília no País da Gramática, literatura infantil, 1934
    • História das Invenções, literatura infantil, 1935
    • Memórias da Emília, literatura infantil, 1936*
    • Dom Quixote das Crianças, literatura infantil, 1936*
    • Histórias de Tia Nastácia, literatura infantil, 1937*
    • Serões de Dona Benta, literatura infantil, 1937
    • O Picapau Amarelo, literatura infantil, 1939
    *  Disponível na Sala de Leitura Irineu Marinho


    Fábulas de Monteiro Lobato

    • O Cavalo e o Burro
    • A Coruja e a Águia
    • O Lobo e o Cordeiro
    • O Corvo e o Pavão
    • A Formiga Má
    • A Garça Velha
    • As Duas Cachorras
    • O Jaboti e a Peúva
    • O Macaco e o Coelho
    • O Rabo do Macaco
    • Os Dois Burrinhos
    • Os Dois Ladrões
    • A caçada da Onça


    Jeca Tatu


    É no livro "Urupês", que Monteiro Lobato retrata a imagem do caipira brasileiro, onde destaca a pobreza e a ignorância do caboclo, que o tornava incapaz de auxiliar na agricultura. O Jeca Tatu é um flagrante do homem e da paisagem do interior. O personagem se tornou um símbolo nacionalista utilizado por Rui Barbosa em sua campanha presidencial de 1918. Na 4ª edição do livro, Lobato pede desculpas ao homem do interior.

    Lobato concede a Murilo Antunes Alves, da Rádio Record, sua última entrevista, em 1948. Dois dias após o bate-papo, o escritor vem a falecer, vitimado por um derrame.


    Reportagem de Rodolfo Gamberini sobre os 100 anos do escritor Monteiro Lobato, exibida em 22 de abril de 1982.


    Arquivo N conta as histórias de Monteiro Lobato
    Disciplina: Língua Portuguêsa / Literatura

    Edição 06/10/2010 - Publicado em 07/10/2010 - 09h43



    Informações biográficas de Monteiro Lobato:

    Data do Nascimento: 18/04/1882.
    Data da Morte: 04/07/1948.
    Morreu aos 66 anos.